Nascemos Latinas.
Hipersexualizadas pela mídia,
com pele oliva, cabelos escuros, corpos curvilíneos
Marginalizadas.
um prato cheio para a morte.
Sentir o sol e a brisa do mar,
sem ter seu corpo depreciado e
caminhar pelas ruas
tentando não ser alvo fácil pela sociedade é uma utopia.
Poder tomar a liderança, mas
não ter poder
por menstruar é intragável.
Andar sozinha nas ruas e
rezar para nenhum homem aparecer
por ter medo de acabar em uma vala qualquer
é viver como uma mulher.
Ser mulher é ter uma força inimaginável
é gerir, gerar, entregar, viver
viver com um alvo em sua cabeça.
Sobreviver com os olhares ao seu corpo sendo objetificado.
Para muitos, somos corpos para tráfico, prostituição e morte sem fronteiras.
Muitas de nós lutamos para viver e
lutamos para não morrer nas mãos deles.
somos um sexo forte com corpo fraco.
Nossas peles cor de oliva choram
Pela falta de respeito por sermos mulheres.
Ser mulher é um presente,
mas, nem sempre estar presente.
É muito fácil morrer nascendo uma mulher latina.
ANA MATTOS nascida no Litoral Sul de São Paulo sempre teve curiosidade pelo mundo e decidiu que queria trabalhar com Computação, mas sua curiosidade atravessou fronteiras e hoje escreve sobre a existência do ser humano. A música é muito importante em sua rotina e além da escrita, a fotografia também é um grande prazer em sua vida e sempre que pode, está exercendo o ato de eternizar momentos. É devota das forças da natureza e pela sua pequena família. É mãe da Astrid, uma cachorrinha arteira considerada seu grande amor.